sexta-feira, 3 de novembro de 2017

POR ESPANHA






Há uma certa Espanha que não muda, há também um Portugal assim (o nosso é de delicodoces e amaneirado), e tem um nome: tradição e pó.

Presumindo-se de moderna, continua senhorial, com traças. Mascara-se de democrática, transveste-se de tolerante. Um engodo para fora, uma falácia para si mesma. Tudo isso já causou muitos sofrimentos e mortes num passado, a dar a entender que se esqueceu, e é possível que se tenha esquecido.

Aquela fotografia da morte de um miliciano – naquela que foi a vossa pior guerra, se há alguma pior que outra, uma guerra de irmãos - parece que agora não passa de um postal bem conseguido. Nada mais do que isso: uma fonte de “likes” e comentários mal redigidos nessas redes que agora aprisionam todos.

Talvez os mais novos, não saibam o que foi esse momento de trevas e o que representa aquela morte. Talvez a culpa seja dos pais que não tiveram a paciência de contar a História.
No espaço tão imediato como um instantâneo, a Espanha moderna, aberta, plural, volta ao ponto de partida, de onde se calhar nunca saiu (alguns), mas nós pensávamos que sim.
Voltou à sua querida altivez, bolorenta, ao uso com luxúria do poder, da força, respondendo à palavra e vontade dos outros – mesmo que só esboçada e inconsequente e tíbia, mas ainda assim legítima de ser dita como palavra – com murros na mesa, a partir a mesa.

Afinal o pluralismo é um folclore para manter o uso da peineta, dos véus de rendas finas que tapam os rostos, dos cilícios, das procissões muito macabras e se calhar até patológicas.

Temo por vós, temo por nós, meus queridos concidadãos de Espanha.

Eu também sou Espanhol, com muito orgulho e raça e patriotismo de coabitarmos esta mesmo quase ilha, mas não quero esse meu nosso país, para mim, e não o quero para os que de vós por uma ou outra razão que desconheço - mas estranho, - ainda não se deram conta, ou desconhecem mesmo, de estarem a ser manipulados pela mesma meia dúzia de fidalgotes de sempre.

Quando os líderes não são bons, o povo melancoliza, e de seguida aceita o impensável.


Espero tanto estar enganado!


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