Se eu pudesse viver outra vez, não sei se queria viver outra vez. Antes, veria com agrado a substância que o meu corpo e a minha consciência dispuseram nesta vida, integrar a atmosfera ou a superfície de Ceres ou de Tritão. Sempre tive uma simpatia especial pela matéria rude, primitiva e, fascina-me a imensidão dos universos. Repetiria quase tudo, ou talvez nada. Não sei, logo se veria. Mas, se vivesse uma outra vez, repetiria com ligeiras alterações de pormenor, a vida que continuo entretido em viver. Com mais seriedade nalguns detalhes que descurei, com muito mais loucura na generalidade dos dias, porque vejo, convencido na experiência anterior, que só assim se deve viver a vida, dando-lhe muito pouca importância. O Amor. Ter-lhe-ia dado mais atenção precocemente. E seria melhor aluno. Chegados a esta fase, devemos estar bem, tenhamos ou não sabido alimentar o amor. Do ódio, teria aprendido, pacientemente, a criar uma barreira que me envolvesse. Protegendo os outros de mim, . ...
O meu cão chama-se Darwin. Se nos nossos passeios o reconhecem pelo nome de um jogador de futebol, ele amua, vira-lhes o rabo, e nunca mais, por muito que reveja essa pessoa, voltará a abanar a cauda para ele. Se o tratam com respeito pelo exemplo de ter o nome de um grande cientista, desalma-se em saltos e pinotes, lambe o mais que o deixarem e ganha um amigo para a vida. Não o vai esquecer mais. Com isto pode-se pensar que o meu cão é um elitista, um snob. Um nome como por exemplo Ronaldo, vale tanto como um José Maria. São gostos, e estes, como sabemos são da intimidade de cada um. Não. O meu cão não faz distinção de classes, tanto alça a perna ao pneu de um Fiat Uno, como ao pneu de um Mercedes último modelo. Estou mesmo a crer que tanto um como outro lhe dão alívio e prazer. Essa sua distinção de comportamentos deve ter a ver com o convívio. Explico: ou vem das conversas com outros cães, ou, o mais previsível, vem de casa. Da nossa. Confesso que em dias azarados em q...