Horas perturbadoras, dias inquietantes, lapsos temporais, estonteantes vazios de frustração e pena. Terra de ninguém, travessia infértil de ideias. Fraqueza redundante. No esgotamento e desistência brota uma palavra do nada, outra que vinda se junta ao festim. No fogacho, fogo fátuo, irrompe uma ideia, depois a frase que a exprime. Apareceram quando se ansiava tanto,bem-vindas sejam! Na abstração do pensamento gera-se um novo ser, abrindo caminho numa folha de papel. Orgia de arromba! Irrompem sem tocar a campainha, trazem as figuras de estilo e mais amigos, enchem de iguarias o salão Vai ser até as tantas, grande e magnífica ressaca esta! Das palavras que se desembrulham em papelotes coloridos.
Sento-me todos os dias em horas em que o sol ainda não decidiu se vai brilhar ou deixar-se obnubilar por névoas, com a decisão emocional de escrever a frase mais conseguida, bela e perfeita, que jamais escrevi. Todos os dias esta intenção, mas nem a última, a de ontem, que chegou perto de ter sido magnífica, acabou por perder-se ingloriamente, vida perdida, na espuma da praia, como aquele menino. Nos momentos que se seguem a essa consideração de valor íntimo qualificativo, desiludo-me. Não escrevo mais, sem muita convicção. O Darwin sai à rua para me passear, vou para a casa do Hobbit, olhar para o manjericão que ando vai para duas temporadas a tentar que medre e me faça tão feliz como escrever frases belas, balanceio-me que nem um louco numa cama da rede que tenho, e devaneio. No dia seguinte volto a acreditar firmemente que escreverei a mais bela e conseguida frase de todas as épocas e estilos. Todos os dias tento escrever essa frase, e acabo invariavelmente a bal...