A noite que entra anuncia um dia radioso
Nesta noite estamos alerta. Nas esquinas, nas
quelhas, nos becos sem saída, ciciam vozes. Algo está para acontecer. Sons
metálicos de carros que não são como os nossos, soam, chiam e passam por baixo
das janelas. A rua, as paredes, os muros dos jardins, vibram. Habituados que
estamos por medo, a nunca abrir as portadas, só imaginamos maus augúrios.
Podemos estar a imaginar mal.
Quando a madrugada acender ainda timidamente as
luzes do novo dia as vozes deixarão de ciciar. Do nada, sem aviso, sem que se
esperasse, organiza-se espontaneamente uma festa nas ruas, empunham-se flores
como se fossem armas, o povo ainda estremunhado porque acabado de despertar,
não sabe bem o que é, mas aceita a alegria, porque estava muito necessitado
dela.
Estás prestes a nascer o dia do futuro, e pelo que
se apresenta, parece promissor.
Acreditamos num futuro melhor, não temos outra
saída.

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