segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Milagre improvável



Numa ausência total de luz, em trevas muito densas e feias,

Faiscou um relampejo.

Eu, Selma, mártir entre os homens,  oferenda dos deuses e para vergonha de ambos,

Lancei das alturas celestiais onde me encontro,

Um míssil de flores luminosas, com um feitiço.

Clareou-se o céu de todos os conflitos, numa chuva intensa de pétalas luminescentes.

Irradiou luz e espalhou na terra sensações de bem-estar.

Atónitos, desconcertados, sem antídoto contra os meus poderes de feiticeira boa, os homens desavindos depuseram as balas e as pedras.

Alguns conseguiram chorar e não se sentiram mal por isso.

Nessa bebedeira de emoções intensas, desataram aos abraços e aos beijos, escolheram pares aleatórios e dançaram - mesmo os coxos.

As crianças fizeram as travessuras que lhes compete, sem necessidade de conceitos geo-políticos na sua cumplicidade de crianças:

São ingénuas, não se enfrascam de rancores.
 
Eu, Selma, a eterna virgem, a neonata e logo a neo-póstuma,

Ofereci-lhes o doce sabor das tâmaras do paraíso! O mel da paz.

Foi esse o meu milagre da ressurreição,
 
A travessura de uma criança irrequieta que não chegou a ser.

Destas alturas alucinantemente altas onde me encontro, desfruto que nem uma perdida, desse espectáculo balístico:


Enviei um míssil que não mata, para desconcerto dos “senhores” do mundo.


 

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