segunda-feira, 3 de abril de 2017

E O QUE TE ABRAÇO!




Estendes os braços nus, finos, oferecem-se assim, pedem resposta.

São provocantes, não são provocantes, são absolutamente meus, esses braços, com a intenção honesta de me abraçar, só a mim, e porque estão nus e são finos, levo a intenção ainda mais a sério.

Não.

A tua intenção nesse jogo subtil de se pensar que é uma oferta, é afinal que seja eu a abraçar, estendendo os meus braços menos finos e menos femininos, mas teus, quando chego à distância de o conseguir.

Com a melhor das simples resoluções, faço-o sem considerações filosóficas, muito menos mesquinhas.

Chego-me, um aproximar dos tímidos.

Abraçamo-nos, e não temos palavras encadeadas e suficientes para explicar com clareza o que aconteceu aos outros. Nem estamos interessados em divulgar.

Se um dia voltares a estender os teus braços finos e aveludados e se eu estiver a assistir à provocação, deus nosso senhor me agarre, atropelo-me, tonto, ponho-me a caminho de ti.

Tenho que ser o primeiro a chegar, e com os meus braços, sei lá eu como dizer bonitos como eles são - de homem, com pelos - dar-te-ei um abraço, rapariga, de suspender os ritmos do universo.

Nada que não aconteça milhões de vezes por dia, sempre que dois seres se unem em um, amando.


Acontece que eu, abraço-te com uma sintonia do abraçar que eles não sabem e é por isso que quando tu estendes os braços, eu não preciso de me atrapalhar, porque os braços que tu esperas, são os meus.




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