Imaginando. O mar. Bonacheiro, aborrascado, ambíguo (palavras boas, e não se usam, contentes de serem ditas, ou escritas, lembradas da poeira que as cobre, fechadas no mofo dos léxicos, na qualidade de sinónimos figurantes, muito raramente a ganharem uma audição, soarem). O céu. Vítreo azul puro, plúmbeo, indiferente. No entanto sempre o mar, pouco a dizer. A terra. Amarelenta paupérrima, amarelenta vivaz. Os verdes aceitam-se todos, e os castanhos, mais sisudos, bem-aventurança serem vistos ainda que sisudos. Terra acobreada, todos os adjectivos e poucos, ou cinzenta, ausente. Uma flor, uma árvore, um animal , habitantes da superfície, sem cores atribuídas, ou engalanados de todas elas. Podem ser sombras, desenhos sem vida, do que já foram, ou o oposto, a jactância, aqui aceite, de se dizerem vivos transbordando vida. Os homens, pálidos ou enrubescidos. Os homens, tão difíceis de catalogar. Os homens, porque se desejam cataloga...