Não se adivinha em nenhuma geografia a localização exacta do Jardim. Pode ser nesta terra, pode ser noutra. Pode ser ao estender o braço, pode ser numa galáxia longínqua, até mesmo buraco negro. Pode ser da ordem do real, pode ser da ordem do imaginário simbólico. Seja o que seja onde seja, o Jardim do Éden existe, que não seja em delírios.
É um lugar aprazível, onde
tudo é puro. É o mundo das Ideias. As cores são o original de todas as cores; o
Jardim, a perder de vista, e todas as árvores, arbustos, plantas e insectos que
o compõem são primordiais, o conceito primeiro e completo desses seres todos,
não há estações do ano, porque não há “ano”, tudo é permanente, e o clima é o
protótipo acabado pelo Criador, de todas as tonalidades de climas. Os odores
são perfumados e permanentes, inebriam de prazeres subtis. A concórdia está
instalada, não há conflitos, não há excessos, não há asneiras, não há pecado.
Não é necessário trabalhar para ganhar o pão, o que é bom, porque não é
necessário trabalhar e enriquecer para comerciar o pão mais caro e conseguir-se
uma vantagem de poder. Ao mesmo tempo, os que não têm essa esperteza ambiciosa
podem comer o pão de todos os dias sem sofrimento e privação. Não há doença,
não há dor. Não há governantes, só Deus, porque não há outros seres com alma a
não ser Adão e de uma costela sua emprestada por obrigação do Criador, Eva, que
os homens e as mulheres não são feitos para a solidão.
Em não havendo Deus ou na sua
ausência, a ideia de Jardim do Éden continua a ser uma boa ideia.
* excerto de: A Árvore - Luis Robalo

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