terça-feira, 29 de abril de 2014

Irmão meu.




Irmão meu, por aqui o tempo é o da fraqueza, da falta de força para evitar que o que criámos juntos que, diga-se, ficou muito aquém do que ambos desejamos, se desvaneça ainda mais.

Não sei explicar-me porquê, a minha estupefação perturba-me o raciocínio, talvez porque seja francamente ingénuo é o que acho. Mas sobreleva a hipocrisia, a ligeireza esperto-matreira, e grave, grave… a impunidade e despudor.

É ligeira a forma como se arquitetam as ideias e mais ligeira ainda a perseverança com se levam à prática. Nascem assim do pé para a mão, como se não fosse possível terem raízes e lançam-se assim da mão para o pé que as chutam longe e bem para cima, para onde não podes alcança-las. São ideias sem raízes, que ali ficam pululando com a determinação de serem únicas, frequentemente disputando a inconsistência do achismo. Por princípio valem todas, mas depois valem sobretudo as ideias a que não podes dar valor… por mais que o teu cansaço te desmobilize. Para tão longinquamente chutadas as ideias a que não damos valor tornam-se quase inalcançáveis para que sejam para as discutir-nos porque não lhes damos valor…

Quando lá chegas, raramente e com o custo da tua digna liberdade, essas ideias passam por ti, nas conversas, escondidas por palavras que te encantam, também elas soltas, tão soltas que quando procuras agarrá-las com a as tuas mãos se esvaem como bolas de sabão, deixando-te na escravidão da prática das ideias que desvalorizas. Uma escravidão indecente …. mais pobres e fracos, toldados na clarividência, na digna liberdade, resta-nos praticar repetidamente as palavras do hino que deveria ser a nossa identidade… mas não podemos esquecer que são essas as palavras que, nas conversas, escondem as ideias que não queremos…

Que podemos fazer? voltar a cantar abril?
 
Obrigado irmão, porque tu que aqui chegaste, há tanto tempo demais, me dás a tua mão de esperança, para que não fraqueje mais.

Marcos Onofre

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