domingo, 12 de agosto de 2018

PORQUE É VERÃO





Uma nuvem. Nada mais senão estar. Imóvel, a olhar para a nuvem. Preencher dessa forma absolutamente letárgica, todos os requisitos do repouso.

A provocação que foi até se chegar aqui. Querer e não poder. Ter episódios de febrícula, fugazes, mas muitas vezes repetidos nos imensos dias que completam todo o ano.

 Porque faltava a nuvem, olhá-la (não é verdade, ela estava e sempre o esteve no céu, não se olhou, foi isso).

A falta que fez, estar estendido, sem pose, com intenção nenhuma especial a não ser a de olhar para a nuvem, no verão.

Aceita-se para o mesmo efeito e como sendo uma belíssima e recortada nuvem branca, uma copa de árvore, ondas encaracoladas, um espelho de água condigno. Aceita-se mesmo olhar parvamente para os detalhes do papel de parede dos forros interiores das pessoas.

Sem mais intenção se não, a de não ser nenhuma.


Por ser verão.  




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