quinta-feira, 26 de julho de 2018

LIVROS QUE SE OUVEM





Não temos a possibilidade da visão do amanhã. Ainda bem, faríamos disparates.

Gosto dos livros, leio todos os que posso e escolho-os pessoalmente. Desloco-me propositadamente a uma livraria real que expõe livros, e alinho num confronto directo, apreciando as capas, tocando, sentindo, lendo frases em páginas aleatórias. Nunca compro um livro que esteja no “top” de uma livraria. Assusta-me o que me impõem.

Amo ler mas também gostaria de os poder ouvir.

Decidi então que vou começar a ler alguns em voz alta, talvez goste de os ouvir ditos por mim. Depois poderei gravar (ainda não sei como, não percebo nada disso, mas aprenderei com tutoriais). Se correr bem acrescento os que mais gosto e outros que vou gostar muito mas ainda não sei mas espero, e não vou esquecer de incluir os que vocês me vao aconselhar.

Poderei vir, se o futuro me levar para aí, a ouvi-los com prazer, que foram ditos por mim,  coisas extraordinárias escritas por seres excepcionais.

Não sei o que esta experiência vai dar, se me canso, se me animo, que armadilhas estão no caminho. Apetece-me e vou tentar. E gostaria de partilhar com outros que também gostam de ouvir coisas belas, essas histórias que são capítulos importantes do manual dos exercícios de ginástica dos sonhos.

Pessoas que vêem mal ou nada; as que têm a vista cansada; as que estão a perder o dom da concentração ou nunca o tiveram em suficiência; aquelas - tantas cada vez mais - que ficaram sem saber, como nem porquê, não sabendo   quase nada, sem memória; que desaprenderam de ler; as que tendo deixado amigos na viagem que fizeram desde que nasceram, apreciam e pedem agora, uma boa companhia para mandar a solidão às urtigas. Todos os géneros, tipos e condições de pessoas, mesmo as que sem nenhuma fragilidade que se reconheça, gostam pura e simplesmente de ouvir um texto bem escrito, embalando-se ou simplesmente distraindo-se.

Farei parcerias – assim se diz – com instituições, entidades, concorrerei a fundos de apoio às artes que não vou ter nem sequer resposta, conheço pouca gente e a que conheço não tem influências.

Se alguma destas anteriores quiser  ligar-se ao projecto e eu a eles  - tenho muitos pudores – vai ser um sucesso, mas duvido-me a apertar a mão a sabujos, com emblemas duvidosos nas lapelas dos casacos. Os que vierem por bem, abraço-os.

Neste momento em que vos escrevo, não faço a mais pequena ideia de como isto tudo se poderá pôr de pé, mas apetece-me muito ler em voz alta e captar o som das palavrsa escritas nos livros.

O primeiro livro será um clássico, e português, e os clássicos também podem ser contemporâneos. A escolha está renhida.
Entretanto, lanço-vos um desafio, que dá pelo saxónico nome de “crowdfunding”, para nós “financiamento colaborativo”. Não peço dinheiro, peço respostas/opiniões/palpites.

Cada reação a este pedido, que espero seja viral - já que é o que hoje em dia todos esperam: serem virais -, construirá uma lista pessoalmente secreta, com a etiqueta de “Sócios futuros com potencial para pagarem quotas a tempo”
.
A vossa participação, se o projecto vingar, terá como recompensa a presença na sessão de lançamento da app (aplicação para dispositivos móveis) LIVROS QUE SE OUVEM.

Mais não espero senão que esta sessão se realize num salão de pompas e circunstâncias (adoro talhas e dourados), uma tocadora de harpa, e que essa apoteose esteja empanturrada – se  o croquete for bom – com pessoas de muito calibre e raça, Vocês.

Agradeço o apoio inicial e no dia do lançamento, lá para o ano que vem, após os discursos solenes que não vai haver nenhum nessas condições de ser solene e chato, vocês pagarão com a maior das solidariedade, uma pequena propina, ou dízimo conforme o vosso gosto pelas palavras, e habilitam-se durante um ano (depois pagam mais) a utilizadores “Prémio” da app (aplicação) LIVROS QUE SE OUVEM


Um bem haja, respondam rápido, e espalhem a notícia, e se conhecerem alguém simpático, se os há, na DGArtes, soprem-lhe ao ouvido.




Sem comentários:

Enviar um comentário