domingo, 24 de junho de 2018

HISTÓRIA DE AMOR EM EL ROCIO





Podia ser agora, neste instante em que o digo.
A definição cristalina da imagem, irrepreensível, focada, captação de todos os detalhes constituintes, pixels.
O mais perfeitamente alguma vez feito e acabado rosto, jamais visto, uma só vez,
visto.
Paixão fulminante e efémera, tudo é.
Cinco, dez minutos. Importa a intenção e qualidade.
Tão bela, que a considerei a imagem canónica da beleza, sem recensão posterior.

Passaram anos, esqueceu-se o rosto, depois de muitos.

Veio à tona, borras do momento. À tona do magma amniótico onde borbulham restos dos pensamentos, fotogramas de vida, ideias preconcebidas, ideias concebidas em continuação.

Essa mulher, que nunca me disse o nome próprio, porque nunca olhou para mim,
Eu para ela intensamente.

A saudade que me deu a revisitação,
será do tempo - uma eternidade – que nos amamos,
só a amando eu a ela,
ou o sabor amargo que nessa altura,
na Romaria de El Rocio,

erámos imortais.

Agora faz-nos falta, talvez Maria.

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