domingo, 27 de maio de 2018

XADREZ




Joguei as mais desabridas partidas de xadrez sem saber jogar. Fi-lo por deferência ao meu anfitrião, para aliviá-lo do tédio e pagar-lhe dessa forma, ainda que desonestamente (eu não sabia jogar e disse que sim), o seu acolhimento.

Claro que quando movi as primeiras peças, na primeira partida, ele entendeu a minha trapaça, mas perdoou, e sem nunca o ter dado a entender, com uma grande delicadeza foi-me ensinando xadrez, com sotaque basco.

Houve mesmo um dia, que me deixou ganhar. Aí entendi eu que a vida não nos traz coincidências e que mesmo os acasos são jogadas que o grande jogador de xadrez tem preparadas para nós.

Tudo isso aconteceu num tempo já a matizar as memórias, num tempo em que um bom jogador de xadrez com uma vida entediada, me abrigou dos desconhecidos, dos medos muitos da desassossegada aventura de ser adulto.

A ti, José, onde estejas.

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