quarta-feira, 3 de maio de 2017

PAZ









Há locais a céu aberto que são como as igrejas.  Não digo os campos, os montes, os mares. Falo da cidade que é o que sei e não sou estranho.

Não é um vazio, é um nada não-gravitacional, uma paz, muita paz, que não se consegue sequer esboçar a tentativa de a descrever.

As palavras não dão para tudo, nem as imagens, só as sensações.

Essa paz é bem-estar, é uma conciliação com o universo inteiro e que mais haja.

Não é religiosa, não é mística, e nem espiritual, ou é tudo isso, ou tem outros nomes.
Encontro lugares desses por toda a parte quando não os espero, porque vou absorvido nos pensamentos habituais de um mortal que tem contas para pagar, e aproveita o ritmo dos seus passos para organizar as suas contabilidades.

Dou com eles pelo que julgo ser um mero acaso e tenho exactamente as mesmas sensações - que não consigo descrever - que tenho quando me sento na igreja, num fim de tarde vindo do trabalho e a caminho de qualquer coisa.

Estou ali para descansar e olhar tranquilamente - sem rezar  porque não sei rezar - para os altares,  as linhas femininas e belas do órgão ou simplesmente deixar-me estar  nessa igreja onde me sento em fins de dia e me sinto tão desligado.

Esses sítios são partes inespecificas de ruas, são esquinas viradas ao rio, são alguns pontos de miradouros, são praças, jardins mal ou bem tratados. São sobretudo perto de árvores, ou canteiros com flores.  São seres únicos, as árvores!

Ouvi uma vez dizer que esses locais são eixos de concentração de energias profundas da terra. Não sei nada disso, pode ser.


Sei que há locais a céu aberto que são igrejas e se as sensações que sinto são coisa divina, então sou dos seres mais espirituais que me conheço.


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