quinta-feira, 4 de maio de 2017

A POESIA






A poesia é o espaço das coisas improváveis, a possibilidade infinda dos impossíveis.

Tudo pode ser belamente dito em todas as línguas, sem concessões nem acordos, a não ser o acordo de que a poesia é a mais livre das expressões.

Na terra incógnita da poesia, fazem-se fumigações diárias para eliminar as unanimidades aceites por cem por cento de todos.

A poesia é encantadoramente rebelde e gosta de picardias.

É necessária pelo menos uma dissonância para se viver na liberdade deste imenso país inóspito que fica depois da cartografia das outras artes.

Quem tiver essa bagagem de liberdade, aventure-se nela.
E não se julgue que é longínqua, que a viagem é demorada. É já ali, a poesia.

Virar em qualquer direcção, ao contornar o cotovelo apertado do pudor. Ultrapassado esse nó, dá-se de caras com a terra prometida. Não tem portageiros nem fronteira.

É fácil conseguir  autorização de residência.

Depois, é desfrutar. É um país cheio de belezas naturais e contrastes inesperados, culturas de boas vizinhanças, exóticas, excêntricas, fadas, faunos, e gente comum, definitivamente comum, os poetas.

Tão comum que escrevem a palavra Amor como se fossem brasileiros a dizer a palavra Amor, nesse seu jeito sonoro de dizerem todas as coisas, até as más, parecendo, que sendo poesia.





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