quarta-feira, 26 de abril de 2017

SORTE







Afastam o sol dos ombros, como a caspa, incomodados, presumidos, porque tudo é fácil, ao pegar da mão.

Outros rangem no frio da sombra gélida, chafurdam na existência, não se aquecem convenientemente.

São as ditaduras do acaso.

A escolha é sempre injusta para quem é triste, ainda mais se for pela tirania das casualidades.

Reclamar é um esbracejar inútil, não dá calor nas articulações.


O tempo que se leva a recuperar da casa de partida, as vezes é nunca.

Os que apanham os adiantados, chegam cansados e ficam-se aí, esbofados, mal tocam com a ponta dos dedos nas costas dos que vão à frente, estatelam as fuças no lajedo escorregadio.




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