sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Anda, caminha



Anda, vem comigo. Puxa brilho nas botas, e dá um passo. Um chega para nos pormos a caminho.

Se aceitares esta proposta indecente, mas delicíosa, somos dois. Sendo dois convencemos muito melhor o terceiro, está em inferioridade numérica e vai vencer a inércia de espectador, vai querer juntar-se à maioria.

Sendo três somos muitos, toda a gente nos vai acompanhar. Sem nos darmos conta, somos quatro e cinco e infinitos números e quantidades, uma multidão a caminhar, senhora de todos os pontos cardeais, com prazer e fidalguia.

Não tenhas nem a menor nem a maior das dúvidas, os nossos passos fazem tremer o chão, e as cabeças. Não importa que as passadas sejam síncronas – pelo contrário, não queremos dessas – basta serem passadas na companhia de amigos, para se dar um belo de um passeio. E com certeza que chegaremos lá, ao fim de um dia bem caminhado e decisões tomadas no acordo de termos todos trocado impressões enquanto andávamos.

Cansados, despedimo-nos bem dispostos e vencedores, combinando a próxima saída.

Anda, vem comigo. Puxa o brilho nas botas e dá um passo. Não fiques em casa.

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