segunda-feira, 28 de abril de 2014

Meu Irmão



Meu irmão, não sei como tem estado o tempo por aí, nem tu o deves saber, que chegaste há pouco, e estas coisas do conforto, não são do pé para a mão.
Aqui foi bom.
O dia e a noite – se assim se pode dizer – foram luminosos, apeteceu sair à rua, sorrimos descaradamente,  o frio não se fez sentir.
A noite esteve muito simpática, e depois quando se fez dia, o sol que é dos nossos, aqueceu a alvorada.
Imagina que até as flores que comprei com uma semana de antecedência, ganharam ainda coragem de se porem de rijas e sedutoras . Aguentar até mais não.
Não há flores como as nossas!
Preguiçámo-nos orgulhosamente pela cidade, por aqueles locais que ambos gostamos, sabes?
Houve momentos até que me confundi: era um oceano de cravos andantes ou um mar de homens, ou flores e homens todos misturados e mesmos, ou sei lá eu o quê, inebriados de novas vontades.
Não importa, eram muitos, fomos todos muitos.
O largo encheu-se.
Deixa-me que te diga, que a lágrima também encheu o olho. Coisas tontas. Não  andamos para novos e estamos mais nostálgicos.
Mas sabes  o que me desarmou e enalteceu, por aquela coisa que nós teimamos em querer que valeu  a pena:  foi  a minha moça de catorze anos, virtual nética, e youtubber, ser que vive – e bem - num universo que já nos vimos à rasca por acompanhar,  ter tido prazer em levar a flor na mão e cantar com gosto aquela canção dengosa - e tão bela de utópica - da Grândola, dos nossos tempos.
Eu nem sabia que ela a sabia cantar!
Fica-me que  Abril é sempre um mês lindo, e as flores, as mulheres, os homens e demais seres desde local único trazem sempre bons augúrios.
Se puderes, quando te ambientares, o que vai ser fácil – para nós é sempre fácil sentirmo-nos em casa – dá uma flor das nossas aos teus novos amigos.
Vão gostar, e que venham por cá visitar-nos, que somos bons jardineiros e apesar dos tempos antipáticos, havemos de conseguir grandes jardins,
A cheirar bem!

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