sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ao meu Amigo Gabriel




Morre um homem e logo nasce outro.

Alguém sentirá a sua falta,

um dia outros sentirão , pelo que nasceu agora.

Sentimos a falta de um corpo que deixou de existir.

Isso doí e leva tempo, se é que alguma vez se consegue, esquecer na sua totalidade.

O que esse homem no entanto disse, se nos tocou, por terem sido palavras gémeas das nossas,

não se esfuma com um sopro, nem com o mais assustador dos vendavais.

Fica pregado à nossa pele, supremo odor de um perfume raro.

Obrigado meu amigo, gostamos tanto das mesmas palavras!

Só a boa literatura descentra um gesto aparentemente obsceno, no mais revelador dos sorrisos.

Grande fotografia essa.

E nesse  enorme sorriso, atracamos a bom porto,

superadas as intempéries da vida, sempre muito perigosa.

Mas se de quando em vez não a mandamos ver se chove,
como merece,

não arrojamos como tu, tão despreocupadamente, por outros e desconhecidos caminhos, lá onde seja.

Por favor, se não te esqueceres, vai pondo uma pequena pedra nas tuas novas encruzilhadas,

para quando eu partir à tua procura e de outros amigos,


Poder chegar mais depressa ao abraço.

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