quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Preocupo-me com a velhice,


como todos os que já puseram atrás das costas a convicção que  seriam imortais,aceitei a custo e pesaroso a evidência que sou mortal.

Passados os cinquenta iniciais, algo no corpo – nenhuma parte em particular, mais uma sensação -, avisou-me que não ia aguentar indefinidamente a minha cabeça, com os seus desvarios e inquietações.

Compreendo que os corpos não tenham uma  paciência eterna para andar com as cabeças ao colo.

Saindo à rua, já mortal, comecei a aperceber-me do outono da geração que está à minha frente na linha inexorável do tempo, e fiquei mais sensível e atento, ao olhar diferente, mais vago, mais triste, das pessoas cujas curvaturas no corpo, anunciam, uns já ao virar da esquina, outros no quarteirão seguinte, a viagem para outras paragens.

Comecei a pensar como irei preencher um dia de 24 horas, quando o meu olhar transmitir ao outro essa inevitabilidade. 

Pessoas como eu, que procuram estar muitas vezes recolhidos das pessoas, que se sentem confortáveis com isso, que necessitam da solidão para se sentirem vivos, será que conseguem sentir essa outra solidão,a do abandono, do desapego? essa doença incurável, terminal, sem cuidados paliativos?

Dou-me a escrever histórias curtas de reformados e velhos, e de como esgaravatam na sua imaginação quase desistente ,inventando uma ocupação para o tempo interminável de um dia.

Algumas são verdadeiras, outras podem ser.

Espero que gostem!

1 comentário:

  1. Muito bom.
    Tema preocupante, o do nosso envelhecimento, a velhice declarada dos nossos pais, o espelho mais sofrido que temos diante de nós.
    Gostava de ser uma velha alegre, activa, feliz. Vamos ser ? Desafio-te.
    Tua leitora atenta,
    H.

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